quarta-feira , 13 dezembro 2017
Avante, Podemos e Livres são algumas das 'novas' legendas. Especialistas, porém, alertam, a mudança para se desvincular do desgaste público não basta

Com os políticos desacreditados, partidos mudam de nomes e desprezam a letra P para atrair eleitores

Brasil – Em um país em que grande parte do meio político está sendo investigada por participar de esquemas de corrupção e os partidos são cada vez mais malvistos pela população, abandonar o tradicional formato de siglas pode ser uma alternativa para melhorar a imagem com o eleitor.

Se não tiver a palavra “partido” na identidade, melhor ainda. Nessa onda, além de legendas como PTN, PTdoB e PSL que estão mudando seus nomes para palavras, novos grupos que pedem registro ao Tribunal Superior Eleitoral seguem essa tendência. Cientistas políticos, porém, alertam: não basta mudar a cara se os métodos continuarem os mesmos.

Recentemente, o PTdoB aprovou a mudança do nome para Avante. O PTN agora é Podemos e o PSL iniciou um movimento nacional para se tornar Livres. Dar nomes de palavras para se diferenciar dos partidos tradicionais é algo que já ocorreu antes com legendas como a Rede Sustentabilidade e o Solidariedade. Antes ainda, o extinto PFL se tornou Democratas.
Na fila para serem criados, outras agremiações tentam engrossar as fileiras partidárias sem o partido no nome. Tem Igualdade, Manancial, União da Democracia Cristã do Brasil, Patriotas, Força Brasil e uma série de outros, somando 15 nomes que aboliram o “P” da sigla.

Cientistas políticos creditam as mudanças nos nomes dos partidos ao momento ruim para as legendas. Para ilustrar, o último índice de confiança divulgado pela Fundação Getulio Vargas no fim de 2016 coloca os partidos políticos em último lugar, com apenas 7% de confiabilidade pelos brasileiros, atrás do Congresso Nacional (10%), da Presidência da República (11%) e das redes sociais (23%).

Já o índice de confiança social realizado pelo Ibope apontou em 2015 que as legendas caíram à metade dos pontos que tinham em 2010 (33), chegando em 17 em uma escala que vai de zero a 100. O levantamento mede a confiança em 18 instituições e grupos sociais.

“Os movimentos internacionais que deram certo e tiveram grande visibilidade não têm partido no nome, como o Podemos na Espanha e o Cinco Estrelas na Itália, então existem exemplos internacionais.

Além disso,  os partidos como instituição e conceito nunca tiveram credibilidade tão baixa no Brasil”, afirma o cientista político da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Figueiredo. Ele ressalta, porém, que é preciso apresentar uma proposta nova ao eleitor.

“O Podemos, por exemplo, está falando em um novo estilo de fazer política, com um projeto de democracia direta. Se for mudar só o nome não adianta”, afirmou.

O cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas, reforça a necessidade de mudança estrutural. “É uma tentativa de se apresentar com outra imagem.

A prática vai dizer se isso terá resultado imediato. Agora, vai ser mais produtivo se houver novas práticas, um outro tipo de posicionamento”, disse. Para o professor, que lembra que já houve um movimento semelhante, com a criação do  Democratas e outros partidos, a nova investida pode ser interpretada como efeito da Operação Lava-Jato.

“O próprio fato de não ter mais o nome partido demonstra uma forma de tentar diminuir o desgaste de carregar essas siglas”, avalia.

Tendência

Os representantes dos partidos, porém, garantem que a tendência nada tem a ver com a crise de baixa representatividade com a população. “No nosso caso, a gente sentiu a militância querendo mudança, não foi uma simples troca de nome, é um novo conceito, um novo estatuto”, garante o presidente do novo Avante, deputado federal Luis Tibé (MG).

Segundo o parlamentar, alguns nomes como “vamos”, “juntos” e “nova democracia” foram colocados em votação, e o diretório escolheu a nova identidade. “Achei meio estranho no início, mas em dois dias de mudança tivemos 1,2 mil filiações, coisa que no ano passado inteiro não ocorreu”, disse. Tibé disse que com a mudança no partido pretende conseguir engajamento.

“Acho complicado e perigoso esse ódio e desânimo das pessoas com a política, por isso queremos trazer pessoas de bem para participar mais”, afirmou.

O parlamentar nega que  a onda de novos nomes seja para se desvincular dos partidos. “A revolta é com os partidos tradicionais, o PT, PMDB; aqui em Minas o PSDB tem um ambiente ruim, mas não é generalizado. Não acho que este seja o motivo”, disse.

O presidente do PSL em BH, vereador Léo Burguês, também diz que a mudança de nome para Livres é apenas para consolidar um grupo político que já vinha articulando um pensamento programático.

“Existe um movimento ligado a questões como estado mínimo, enxugamento da máquina, diminuição de cargos de confiança, defesa das minorias. É uma identidade com um pensamento que o PSL resolveu adotar a nível nacional, uma tentativa realmente de colocar o partido de uma maneira mais programática”, diz.

Burguês também nega a mudança de nome por causa da imagem. “Partidos maiores tiveram desgastes e não mudaram de nome. no nosso caso só posso dizer que é muito pelo contrário, não tem ninguém envolvido em nada”, afirmou.

Partidos com nomes novos

» PTN – Podemos
» PTdoB – Avante
» PSL – Livres
» Democratas
» Rede Sustentabilidade
» Solidariedade

Na fila para existir :

» Aliança Renovadora Nacional
» Força Brasil
» Igualdade
» Liga Democrática Liberal
» Manancial
» Movimento Cidadão Comum
» Nova Ordem Social
» Patriotas
» Raiz Movimento Cidadanista
» Real Democracia Parlamentar
» Renovar
» União Democrática Nacional
» União para a Defesa Nacional
» Unidade Popular

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